Opinião. Papa Francisco: a corrupção puzza






Papa Francisco falou com todas as letras, poucas palavras, numa linguagem incomum e direta, própria dos papas comuns, indiretos:

- “A corrupção é suja e uma sociedade corrupta é uma porcaria, fede! E um cristão que deixa a corrupção entrar dentro de si, não é cristão, e fede. Compreendem? Fede! (Puzza!).”

Em alguns meios de comunicação, o fato não foi notícia. No UOL a informação entrou, por alguns instantes e desapareceu, em seguida, sem retorno. Grandes jornais, pródigos em dar alarde a baboseiras, banalidades e às doutrinações politicamente corretas reincidentes, silenciaram, ou não abriram espaço e destaque para um fato de importância universal.

O fedor da corrupção geral, e em toda a parte, condenada com palavras duras e contundentes do Papa Francisco, foi a notícia que circulou nos mais importantes meios de comunicação do mundo.

No Brasil, inexplicavelmente, como outras tantas e habituais ações e omissões da imprensa, houve escamoteação do fato, cortina de fumaça, inversão de pesos e valores, “leads” aberrantes, ausência de repercussão midiática, de editorial e de opinião.

Grave amostragem da desinformação e deformação da verdade neste País em que a censura da força bruta não foi diferente da censura em causa própria, espontânea, voluntária, interesseira e antiética, de uma parte ponderável dos que defendem a liberdade de imprensa para garantir seu “direito” torto de mentir, omitir, calar, alardear e publicar, segundo suas conveniências.

Liberdade abusada, que se iguala à censura dos tempos da liberdade restringida.

Liberdade para desrespeitar a necessária e irrestrita liberdade, e ferir o amplo direito dos que querem ser honestamente informados.

Desgraçadamente, a mídia às vezes escolhe, omite ou inventa os fatos que viram ou não viram notícia.

Ou lhes atribui descabida, relevância, ou menor importância, segundo os interesses de seus agentes – agentes de um Sistema – que apenas comunicam o que querem, do jeito que querem, e quando querem.

Nesse caso, nós, os leitores, telespectadores, e ouvintes, somos massa de manobra, alvo de um processo de desinformação e deformação da realidade, ou seja, da verdade real.

Quando isso acontece, só nos é possível saber o que chega ao nosso conhecimento. E o que chega ao nosso conhecimento provém de uma fonte capaz de criar informação contaminada, fictícia, inverídica, falsa, filtrada e distorcida.

Ideologia, fanatismo, paixão, partidarismo, idiossincrasias, interesses, crenças, radicalismo, ignorância, despreparo, leviandade, insensatez, incompreensão, desavenças, ódio, afeição, intolerância, são atributos e fatores que podem levar um ser humano, um jornalista, como agente pessoal e individual da notícia divulgada, a fabricar desinformação e deformação, geradoras da “opinião publicada”.

E não é só. Pode existir uma distância abissal entre o poder pessoal dos jornalistas (os corretos e os incorretos) de opinar e noticiar, e o poder dos proprietários das mídias. E, inversamente proporcional à essa enorme distância, há uma outra relação, de estreita proximidade, entre os donos da mídia, de um lado, e de outro lado, os poderes institucionais e econômico, sobre os quais os donos da mídia se impõem, ou a eles são submissos, conforme as circunstâncias de tempo e lugar.

Como resultado dessas relações de confraria e distanciamento, de interesses e contrariedades, de ações grupais e individuais, os fatos e a notícia, a informação e o conhecimento, são apenas fantasia, figurinos, representação, palco e cenário onde a mentira e a verdade são reciprocamente travestidas, para confundir a plateia, que, quando pensa, pensa ver o que não vê, e vice-versa.

Imagine-se o que das verdades vem à tona, e o quanto fica no fundo.

Busca



Newsletter

Cadastre o seu e-mail abaixo e receba as nossas newsletters:




Parceiros

Melting-Pot Production Anuncie aqui City Parking Cascione Advogados Associados