Dicas de Língua Portuguesa: Leitura de férias!







Olá, pessoal!

Post em ritmo de férias! Ficarei algumas semanas sem escrever e, por isso, hoje minhas dicas não serão sobre Gramática prática, mas sobre Leitura!

Em primeiro lugar, gostaria de recomendar um site que talvez vocês já conheçam, mas não custa repetir, é o Domínio Público:

http://www.dominiopublico.gov.br

Lá vocês podem encontrar várias obras cujos autores morreram há mais de 70 anos e, por isso, podem ser livremente acessadas, sem custo ou pagamento de direitos autorais. Vocês podem baixá-las no computador, no IPad, em apenas alguns segundos. Há textos em poesia e prosa, de nomes como Álvares de Azevedo, José de Alencar, Machado de Assis, Eça de Queirós, Fernando Pessoa. Obras de escritores de língua estrangeira também fazem parte do acervo. Vale a pena consultar!

Agora, se me permitem, gostaria de indicar um livro de que gosto muito (esse é recente, ainda não se encontra em domínio público...). Trata-se de A elegância do Ouriço, de Muriel Barbery, da Companhia das Letras. Uma obra profunda e tocante, que faz refletir sobre o vazio das relações, das aparências mais importantes do que a essência, sobre a mediocridade. Isso se amarra pelo entrelace de duas narradoras – Renée, zeladora de um prédio chique em Paris, mulher culta e refinada que não corresponde ao estereótipo de sua classe social; e Paloma, adolescente prodígio, rica, moradora nesse edifício, mas sofredora de uma crise existencial que culmina no planejamento de seu suicídio no dia do aniversário de 13 (!) anos, já próximo. Enquanto espera, a menina vai fazendo anotações pessoais e filosóficas tentando ainda encontrar algum sentido na vida: os Pensamentos profundos e o Diário do movimento do mundo. Eis um dos pensamentos profundos de Paloma:

"(...) meu pensamento profundo do dia: é a primeira vez que encontro alguém que procura as pessoas e que vê além. Isso pode parecer trivial, mas acho, mesmo assim, que é profundo. Nunca vemos além de nossas certezas e, mais grave ainda, renunciamos ao encontro, apenas encontramos a nós mesmos sem nos reconhecer nesses espelhos permanentes. Se nos déssemos conta, se tomássemos consciência do fato de que sempre olhamos apenas para nós mesmos no outro, que estamos sozinhos no deserto, enlouqueceríamos. Quando minha mãe oferece petitsfours da casa Ladurée à sra. de Broglie, conta a si mesma a história de sua vida e apenas mordisca seu próprio sabor; quando papai toma o café e lê o jornal, contempla-se num espelho do gênero manual de autoconvencimento; quando Colombe fala das aulas de Marian, deblatera sobre seu próprio reflexo, e quando as pessoas passam diante do concierge, só veem o vazio porque ali não se reconhecem. Do meu lado suplico meu destino que me conceda a chance de ver além de mim mesma e encontrar alguém."
(BARBERY, M. A elegância do ouriço. Companhia das Letras)

Até a volta! Abraços!

Silvia Maria Leme do Prado Cascione Mazzonetto é professora de Língua Portuguesa e Literatura formada em Letras e Direito pela Unisantos e Mestre em Educação pela PUC/SP

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