Baú do Cascione: Minha primeira viagem a Copacabana








Depoimento ao jornalista Thell de Castro

Vicente, como foi esse passeio por Copacabana?

Era 1960 e tinha acabado de prestar o vestibular, logo depois de ter me formado no colegial. Estava com o Afonso, lá do Campo Grande, um amigo de infância com o qual tenho contato até hoje. Resolvemos ir até o Rio de Janeiro e conseguimos juntar o suficiente fazendo uma “vaquinha”.

Foi a primeira vez que você andou em avião?

Foi a primeira vez que pegamos um avião, um DC-6 da Companhia Aérea Real. Era um quadrimotor de hélice. Tínhamos um sonho de ir ao Rio pelas músicas da época, como aquelas da Bossa Nova, ainda no início, especialmente as do Vinícius de Moraes. As canções falavam sobre o Rio, então queríamos conhecer o Pão de Açúcar, Copacabana e outros lugares.

Pelo que conhecemos, dá para perceber que Copacabana mudou bastante em relação ao que vemos na foto, não?

Na foto, estávamos andando pelo calçadão da Avenida Atlântica, que tinha apenas esta pista estreita, alguns prédios e aí já se chegava à areia da praia. Atualmente, a calçada é larguíssima e avenida tem duas pistas, divididas pelo canteiro central. Do outro lado, também há um calçadão, com quiosques, ciclovia e pista para corrida. Só depois é que se chega à praia.

Na foto, tem um carro passando. É um Aero Willys, o que é emblemático. Enfim, foi uma viagem dos sonhos, principalmente por ter representado o começo da minha descoberta do mundo. Até então, nunca tinha saído de Santos e, logo na primeira viagem, conheci o Rio de Janeiro. Considerei o lugar mais bonito do mundo, mesmo sem ter visto outros, a não ser por fotografias. Entretanto, mesmo tendo viajado para vários lugares, como Londres e Paris, continuo afirmando que o Rio é o lugar mais belo do planeta, especialmente do ponto de vista da conjunção da natureza com a arquitetura.

Então a sua expectativa foi alcançada?

Sem dúvida, foi, muito por coisas pequenas, como a fotografia que fui tirar na porta da Confeitaria Colombo, que guardo até hoje. Andei no bondinho do Pão de Açúcar, que hoje esta lá para o museu. Quando você sobe no bondinho antigo, que dava a impressão de ter um piso muito frágil, de madeira. Foi muito marcante ver Copacabana e também o cenário de Ipanema, onde os grandes compositores da época se concentravam. Foi inesquecível, tanto que até compus uma música em homenagem ao Rio, a qual preferi não divulgar pela péssima qualidade dos versos e da música em si. Mesmo assim, fiz aquilo que era capaz.

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